Uma ideia que virou mais de 60 diagnósticos automáticos por semana
Tudo começou com um amigo — um executivo de contas — chegando com um PPTX embaixo do braço.
Ele é o tipo de profissional que conhece cada cliente pelo primeiro nome, lembra do contrato de 2022 e ainda sabe qual módulo do sistema está parado esperando alguém agir. Só que fazer isso para uma carteira inteira, ao mesmo tempo, todos os dias? Difícil para qualquer ser humano.
A apresentação dele tinha uma pergunta no centro: e se a gente usasse IA para enxergar a carteira antes que o cliente precise ligar?
Levei a sério. O desafio não era dados. Era conexão.
A operação tinha tudo. Tickets de suporte, projetos, contratos assinados, horas consumidas, negociações em andamento. Só que cada informação vivia em um sistema diferente — e ninguém tinha uma visão consolidada de um cliente em menos de 20 minutos de trabalho manual.
Decisões comerciais e de CS eram tomadas na percepção individual. Quem tem boa memória e energia para checar todos os sistemas, decide bem. Quem não tem tempo, decide no escuro. Esse era o gargalo real.
A solução: conectar tudo e deixar a IA trabalhar.
O que eu construí
Construí o FLOWSIGHT, um hub central que integra seis sistemas simultaneamente — plataforma de suporte, gestão de projetos, CRM, assinatura de contratos, board de execução e API de horas. Tudo sincronizando automaticamente, todo dia.
Não era sobre automatizar por automatizar. Era sobre fazer os dados circularem sem depender de ninguém copiar informação de um lugar para o outro.
O resultado, em indicadores:
- 100% dos sistemas core conectados em fluxo contínuo.
- Monitoramento em tempo real de toda a carteira de clientes ativos.
- Centenas de projetos classificados automaticamente entre Projeto e Sustentação.
- Sincronização integral das tarefas do board de contratos.
- Milhares de tickets carregados para análise histórica.
- Mapeamento completo de stakeholders (cargo e papel) identificados.
- Fluxo 100% autônomo: nove agendamentos rodando no servidor sem intervenção humana.
E a IA? Entrou onde realmente faz diferença
Toda segunda-feira às 6h da manhã, antes de qualquer pessoa do time chegar, o FLOWSIGHT já rodou. Para cada cliente ativo, a IA analisa o histórico recente, projetos em execução, consumo de horas e contexto contratual — e gera um diagnóstico individual com:
- Resumo da situação atual
- Nível de risco (alto / médio / baixo)
- Oportunidades identificadas
- Próxima ação recomendada para o executivo
Mais de 60 diagnósticos gerados automaticamente toda semana. São mais de 60 oportunidades registradas no pipeline sem nenhum esforço manual — e uma notificação avisando o time que está tudo lá, esperando ação.
O que aprendi com isso
- IA aplicada não é vitrine. Ela precisa estar no meio de um fluxo real, gerando output que alguém vai ler e agir. Diagnóstico que vai para uma gaveta não vale nada.
- Integrar sistemas é mais trabalhoso do que parece — e mais poderoso do que a maioria imagina. O trabalho técnico de fazer tudo conversar de forma confiável é onde mora o valor.
- A governança importa tanto quanto a automação. Criei um monitor diário que verifica a saúde dos fluxos e avisa caso algo falhe.
O que faz esse projeto funcionar: visão comercial + execução técnica.
A ideia do meu amigo era comercial. Meu papel foi transformar essa pergunta em arquitetura. Quando as duas perspectivas se encontram, o resultado aparece rápido. Todo diagnóstico automático é uma conversa de cliente que pode acontecer proativamente em vez de reativamente.
Maturidade em automação comercial não vem de ter mais ferramentas. Vem de conectar melhor as que já existem — e usar IA onde ela realmente reduz atrito.
Foi isso que uma apresentação de board, um amigo com visão comercial e algumas semanas de trabalho técnico transformaram no FLOWSIGHT.